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Sobre o projeto

Em 2011

Espetáculo da Terra: a Ópera das Pedras ganhou novas vozes

As primeiras vozes da Ópera das Pedras foram ouvidas há alguns anos atrás e, desde então, não se calaram. Pelo contrário, passaram a falar mais alto, cresceram e ecoaram em diversos cantos. A Ópera das Pedras – Primeiras Vozes é uma criação artística de Denise Milan que nasceu como uma obra multimídia, em 2006. Foi o início de uma série de projetos da artista que agora compõem o Espetáculo da Terra e que abordam a mesma temática: a integração entre nós, homens, e a grande Pedra Azul, a Terra.

A cosmogonia moderna construída nessa Ópera tem seu “começo sem começo” na gênese do mineral. Os índios Gaviões e os Cinta Largas, de Rondônia, contam uma lenda na qual os homens viveriam dentro de uma pedra. Inspirada por essa narrativa, Denise construiu um novo mito adaptado, tanto em sua forma quanto em seu conteúdo, ao nosso contexto atual. Nessa história o começo não está dado por um gesto criador, nem por um dado científico. O começo aqui só existe enquanto eterno recomeço e nós somos os homens que relatava a lenda indígena. Habitamos a grande Pedra azul, a Terra.

Essas pedras, que são espaço e sujeito do Espetáculo da Terra, assumem qualidades humanas e nos aproximam do universo natural que está diante de nossos olhos.  Dessa forma, traçar paralelos entre nossas vidas e o processo de formação dos minerais se torna instintivo. Aprendemos com as pedras como sobreviver de maneira ativa e criativa às condições impostas pelo ambiente em que vivemos.

Acompanhando essa trajetória, e não menos importante, outros projetos foram sendo concebidos paralelamente. A exposição Entes Pétreos, Cenas Pétreas e Olho Quartzo, com instalações de Denise, circularam os SESCs da cidade de São Paulo chegando até o interior paulista. Em 2010, um novo passo foi dado. Eram mais algumas vozes que inauguravam um novo ato do Espetáculo da Terra.

Não mais enunciando suas primeiras palavras, a Ópera das Pedras saiu de seu formato virtual e ganhou vida no palco. Uma ópera experimental na qual grandes artistas interpretavam composições feitas especialmente para o espetáculo. Um canto que nos desperta para a vida nos subterrâneos da Terra, onde o drama humano é metaforicamente representado. E, mais uma vez, uma exposição, intitulada Coração de Ametista, caminhava ao lado da apresentação.

Ao mesmo tempo, uma ação cultural idealizada por Denise se moldava na comunidade de Heliópolis sob os cuidados de arte-educadoras. O Cortejo das Vidas Preciosas transpunha todo esse universo mítico destinado à adultos para outro, mágico e infantil. Uma série de atividades foram propostas para que as crianças entrassem nesse universo artístico e levassem esse aprendizado para outras áreas do conhecimento. O dia do Cortejo consistia numa caminha do SESC Ipiranga rumo ao Monumento da Independência. Era o despertar de uma nova consciência e a procura por novos valores na redescoberta de suas vidas preciosas.

Esse ano o Cortejo das Vidas Preciosas se renova, mas abarcando mais duas comunidades. Pela primeira vez na cidade de São Paulo, formando uma rede cristalina, as comunidades do Grajaú, Heliópolis e Jaguaré se reúnem, trocam experiências e se reconhecem como os povos da Terra. Partem no Cortejo para emitirem seu grito de integração com a Pedra Azul, Terra. É chegada a hora de apreendermos como sobreviver em nosso planeta perante suas transformações.

No dia do cortejo, 29 de abril de 2011, serão distribuídas para as crianças o livro recém publicado A Pedra Azul, de Denise Milan com adaptação de Maísa Zakzuk.

Ainda para esse ano, novos projetos estão em andamento e logo integrarão o Espetáculo da Terra.



Em 2010

O olhar de Denise Milan é Blakeniano. A Ópera das Pédras poderia ter sido um manuscrito iluminado do século XVII como “O casamento do Céu e do Inferno”.

É uma Ópera de Câmara que mescla músia de hoje com a alma da Renascença. As Pedra é todo homem, toda mulher, todo artista na peregrinação para encontrar o Graal, a fonte da criatividade.

Lee Breuer




O QUE É A ÓPERA DAS PEDRAS

A Ópera das Pedras é um chamado, um canto que nos desperta para a vida dos subterrâneos da Terra. A pedra, assumida como lugar de origem e renascimento, é  palco e protagonista dessa epopéia em que o drama humano é metafóricamente representado.
Do magma ao quartzo, a história relata o drama do cristal em contínua transformação. O cristal, formação que expressa a perfeição na natureza, serve de espelho e reflete os anseios do homem, anseios que o levam a expandir sua consciência.
Esta ópera é um canto de renovação em que se ouve a voz da pedra e a passagem do caos à ordem se torna possível. A Terra, exausta e devastada pela avidez humana dá lugar à Terra renovada pelo amor.
Inspirada no Mito da Caverna de Platão e no Mito de Criação dos índios Ikolen Gavião, de Rondônia, Brasil, a Ópera das Pedras, o Espetáculo da Terra, como todos os mitos, junta luz e trevas, passado e futuro. Ao fazer isso, levanta questões para o Brasil – como tratar as ricas minas que existem nos subterrâneos sob as nações indígenas.
Em 2004, enquanto planejávamos o seminário Gemas da Terra (lançado pelas edições SESC SP, 2010), ouvi pela primeira vez este mito indígena em que os homens viviam dentro das pedras; assim como em minha obra valores humanos são atribuídos ao quartzo. Pedra quartza , mineral comum e universal, está presente em 70% da crosta terrestre do nosso planeta .Vi uma parábola moderna nestas histórias destas pedras míticas que abrigam toda humanidade mortal e coincide com a pedra azul no cosmos, a Terra em renovação.

Denise Milan sempre acreditou e o Sesc anteviu a Ópera das Pedras como uma proposta experimental única, por nos remeter as nossas origens tanto no sentido cosmológico como no sentido metafórico.
A pedra é a Terra, que por sua vez é a expressão primordial do feminino
e da criação.


DNA DA ÓPERA DAS PEDRAS

A Ópera das Pedras é um chamado, um canto que nos desperta para a vida nos subterrâneos da Terra. A pedra, assumida como lugar de origem e renascimento, é palco e protagonista dessa epopéia em que o drama humano é metaforicamente representado.

Inspirada no Mito da Caverna de Platão e no Mito de Criação dos índios Ikolen Gavião, de Rondônia, Brasil, a Ópera das Pedras, o Espetáculo da Terra, como todos os mitos, junta luz e trevas, passado e futuro. Ao fazer isso, levanta questões para o Brasil – como tratar as ricas minas que existem nos subterrâneos sob as nações indígenas.

Em 2004, enquanto planejávamos o seminário Gemas da Terra (a ser lançado pelas publicações SESC SP, 2010), ouvi pela primeira vez este mito indígena em que os homens viviam dentro das pedras; assim como em minha obra valores humanos são atribuídos ao quartzo. Pedra quartza , mineral comum e universal, está presente em 70% da crosta terrestre do nosso planeta .Vi uma parábola moderna nestas histórias destas pedras míticas que abrigam toda humanidade e coincide com a pedra azul no cosmos, a Terra em renovação.

À medida que foi ganhando corpo, a Ópera das Pedras agregou diversos artistas e o que eu intuía ser a via quartza, a estrutura do quartzo se formando e reunindo diferentes linguagens numa língua comum, tornou-se uma realidade. A obra, que até então era minha criação, expandiu-se no tempo e no espaço, desenvolvendo-se como uma teia de relações e projetos inusitados,entre eles a apresentação do DVD Ópera das Pedras-Primeiras Vozes ,acompanhado da instalação

Cenas Pétreas”, “Entes Pétreos” e “Olho Quartzo” em 2006,

no Sesc Pinheiros ,em 2007 no Sesc Araraquara e em 2008 no Sesc Sto André.

A instalação Coração de Ametista nasceu  neste processo em 2010. Numa via ao coração da matéria das camadas da pedra até seus átomos, percorremos a transformação do caos à ordem. Aprendemos com a vida que pulsa nos subterrâneos da Terra!

O cortejo das Vidas Preciosas, uma apoteose da consciência humana, um rito sagrado conduzido pelos povos da Terra. Perante o Altar da pátria, um grito de independência das vidas preciosas, muitas vezes esquecidas à margem da existência.

O Imaginário da Pedra se manifesta através de Solser, pedra de luz, personagem da Ópera das Pedras – O Espetáculo da Terra, para nortear o sentido do ato da independência representado pelo Monumento do Ipiranga. Seus raios são pipas preciosas e simbolizam as pedras brasileiras a se elevarem dos subterrâneos do planeta. Num rito de renascimento, vidas cristalinas e seres conscientes, clamam pela liberdade de expressarem sua natureza!

Denise Milan



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